domingo, 5 de setembro de 2010

Metade (Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

É só um dia....

Tem dias que a vontade é gritar ao mundo liberdade.

Dia de colocar a mochila nas costa e ganhar o chão,

Pelas longas estradas que a vida nos reserva...

Há os dias que a vontade de chorar é

Maior que a de sorrir,

Mesmo que não haja motivos para nenhum dos dois.

Nesses dias as perguntas são mais frequentes

E as respostas mais complicadas,

E fica dificil se reconhecer em meio a tantas incertezas.

É em dias assim que tudo que queremos

É o silêncio da noite

E o aconchego da solidão...

É em dias assim que pensamos

O quanto nos falta pra entender

O que nem mesmo a vida consegue mostrar.

Então nos encolhemos em um cantinho escuro

Como se ali os problemas não nos achassem.

Como se ali esse vazio dos dias não alcançassem

Nossas almas...

domingo, 29 de agosto de 2010

"Ela teimou e enfrentou o mundo se rodopiando ao som dos bandolins..."

O vento bate em meu rosto, e os raios de sol iluminam minha pele,
Eles também refletem a sua...
E ao barulho das ondas, vamos aos poucos vendo através das lentes
Que separam os olhares....

Olhares compreensivos e atentos, ao pacientemente ouvir o passado.
E deixando transparecer vivências
Navegamos docemente entendento o que somos.

Somos o caminhar alegre ao pensar na zebrinha quebrada
E na surra dada por quem hoje tu carregas traços e jeitos....
Dando-me a certeza de que o pouco que nesse plano esteve muito te deixou.

Deixou a confiança de um amadurecer,
Um sorriso sempre presente e as grandes lembranças
De dias de comilança comuns a infância...

Infância vivida ainda na presença de bons amigos,
No olhar da bolinha indo e vindo,
No sentar ao ver o quanto o tempo nos é significativo.
Como melhoramos com ele.

Ele que mostra o quão belo fica o curto e o vermelho.
Então ao voltar no barulho das ondas,
Em meu silêncio agradeço o quanto contigo cresço.
E por hoje me fazer escrever ao “som dos bandolins”.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Réplica.

Rendo-me a concordar com tão sensato e bonito comentário...

Talvez me falte a paciência (apesar de ainda achar que é a competência).



Porém lindo anjo peço a você que também seja paciente...

Pois vontante eu tenho, de fazer as pessoas entenderem o que sinto, porém

Falar de sentimentos é tarefa díficil a quem se acostumou a silenciá-los.



...



Ensina-me a mostrar a cor ao cego e a música ao surdo,

Mostra-me essa paciência que não tenho,

Dê-me a pretensão que as vezes me falta....

Serei aluna dedicada (risos).



Em troca prometo-te a minha afeição, o meu carinho, a minha amizade...

Estar presente em seus momentos e ausente quando assim quiseres,

Constituir palavra ou silêncio...



Ser o abraço “quando nem se quer ter a noção do que ele representa e no que se transforma”.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

...em um abraço.

Ai, ai...

Doce criatura, como gostas de desafiar meus limites,
E como travo sem palavras a dar respostas ao que queres.



Expressar em versos o raio de luz que cobre meus dias de alegria
É como tentar mostrar cor a um cego,
Ou como tocar uma música a um surdo,
Eu posso até explicar, mas você não irá sentir....



Seria tão mais fácil se me pedisses para falar,
De amor, de dor ou de flor, (risos)
Porém a felicidade, essa felicidade,
Ah essa, doce menina, não sei falar...



Talvez no caminho no qual nos colocaram,
Ou no qual escolhemos eu consiga te mostrar:
Como ela é,
De onde ela vem,
O cheiro e o sabor que tem....



E daí então quem sabe,
Você me apresente ela em letra,
Para então poder conhecer, que agora,
Você a sente como eu.